• Pedro Sahium

1. História Moderna - A passagem do século: 1480 – 1520


Nessa Unidade deveremos, além dos nossos encontros e da vídeo aula, ler o livro de Sergei Gruzinski, "A passagem do século: 1480 – 1520, As origens da Globalização" -, e realizarmos as atividades propostas.



Uma das coisas geniais da obra de Gruzinski é o foco na transição da História Medieval para a Moderna, levando em consideração os aspectos culturais – entendidos como causas e consequências da criatividade e estrutura social nascente. Somado a isso vemos o bom uso das datas, no espaço delimitado de 30 anos, bem como os acontecimentos que envolvem os países e suas estruturas sociais diversas.



As datações nos ajudam a estabelecer parâmetros para avaliarmos o salto que será gradativamente dado para a Idade Moderna, superando as características do medievalismo.


Em 1500 fica selado o destino de dois continentes; “Para dizer a verdade, os descobrimentos europeus só tem sentido para os europeus, e as terras e povos que os europeus passam a conhecer jamais brotam do nada” (p. 12). O ano de 1492 significa muito pois, no Caribe, se invitam os primeiros esforços da colonização. De 1492 até 1500, são oito anos de presença europeia no Caribe, ninguém imaginava o tamanho da empreitada que viria a ocorrer, e nem as consequências que viriam.


O ano de 1492 é considerado uma importante linha divisória entre a época medieval e os tempos Modernos. A coroa de Castela alardeava a novidade da descoberta como uma "novidade absoluta", "algo nunca visto desde o o nascimento de Jesus Cristo". As imagens construídas pelos navegadores eram paradisíacas, vegetação exuberante, águas límpidas, criaturas nuas, bonitas e acolhedoras... clichês de viajantes! (p. 14). A passagem do século significou encontro e enfrentamento, para prejuízo, infelizmente, dos indígenas...


O Mar do Caribe, são uma referência às tribos de línguas caribes que habitavam (e, em alguns casos, ainda habitam) as Pequenas Antilhas, as Guianas e parte do litoral da América Central



A ilha de Hispaniola (São Domingos, Santo Domingo), e de Cuba, foi onde Colombo estabeleceu os seus primeiros contatos - ao chegar em 1492. Em 1496, depois das tentativas fracassadas em Navidad e Isabela, surge a primeira cidade europeia da América: São Domingos. Hoje a ilha se divide entre Haiti e República Dominicana (mapa acima).


As lições deixadas por esse início de colonização em fins do século XV foi: como dizimar as nações indígenas e levar de quebra um montão de europeus... (p. 17/18). A solução foi importar negros da África diante da desertificação humana (em que os autóctones são dizimados pelas epidemias e subalimentação, massacres e maus-tratos, exploração desenfreada dois sobreviventes, destruição do meio ambiente e dos modos de vida tradicionais, deportações maciças). Um médico, em 1515 em São Domingos, manda buscar das Canárias os especialistas no plantio de cana-de-açúcar. As aventuras desenvolvidas até aqui, nas ilhas, é exemplar para toda a América: o roteiro de caos, esbanjamento, incompetência e desperdício, indiferença, massacres e epidemias... A autoridade de Cristóvão Colombo passou a ser questionada.


Cristóvão de Colombo (1451-1506), navegador e explorador italiano, responsável por liderar a frota que alcançou o continente americano em 12 de Outubro de 1492, sob as ordens dos Reis Católicos de Espanha.




O que buscava e o que encontrou o Almirante Colombo?



O Almirante Colombo procurava as ilhas douradas de Tarsis e Ofir, de onde saíram as riquezas para o reino de Salomão. Mas o Almirante também se entregava a delírios religiosos e apocalípticos: Descobridor "del nuevo cielo y tierra... Me hizo mensajero" Vemos assim, a perspectiva "messiânica" dos descobrimentos espanhóis (p. 20-23). Nos séculos dos descobrimentos (XV e XVI), encontramos teorias escatológicas, messiânicas, milenaristas, sonhos humanistas de que Colombo teria chegado à ilha de Hespérides (ilhas paradisíacas das ninfas gregas), ou à Antiglia (denominação de uma ilha lendária situada no oceano Atlântico, a oeste da Europa) ou à fabulosa Taprobana (hoje Ceilão). Mas era um Novo Mundo e ficará claro nas vésperas de 1500.


Já existiam as "Fake News"?


Expressão usada desde o final do século XIX, mas popularizada nesses tempos atuais de mídias digitais, século XXI, veremos um tipo de "notícias falsas" (fake news) nos idos séculos XV e XVI. A manipulação das informações também é um dos "avanços" da modernidade no limiar do século XVI. A Vespúcio atribuíram-se textos que, tudo indica, vinham de oficinas florentinas já especializadas na fabricação, impressão e venda de informações sensacionalistas sobre o Novo Mundo. (p. 37).

Em 1480, Annius de Viterbo publicara uma obra intitulada "Dos futuros triunfos dos cristãos contra os sarracenos". O texto foi uma espécie de best-seller em seu gênero: oito edições se sucederam no final do século XVI. Reúne os medos e as obsessões da época, abordando figuras maiores da literatura apocalíptica, como o imperador do fim dos tempos e o Papa angélico. Ali estão lado a lado tanto as especulações astrológicas de Albumasar, uma seleção das profecias de Joachim de Fiore, as reflexões do misteriosíssimo Hermes Trismegisto, como a interpretação que o autor dava dos textos do Apocalipse. Annius de Viterbo explicava que os turcos eram a Besta do Apocalipse, e Maomé, o Anticristo. (p. 40).


Três nomes próprios que são dignos de marcar a transição para a modernidade: Savonarola, Jacob Fugger e Erasmo de Roterdã. Talvez, um quarto nome seja também simbólico para a transição, o nome do teólogo protestante Thomas Muntzer.


Em Jerônimo Savonarola, padre dominicano vemos retratado muito bem o típico religioso defensor de ideias do milenarismo, do messianismo e é o retrato do ambiente místico, mágico, supersticioso, contagioso, da virada do século XVI (p. 42-45, 50). A Europa do Norte: o rico Jacob Fugger e o escritor Erasmo: representam a síntese do mundo do trabalho, do ganho, do estudo e da criação... (p. 47-49).

Esse mundo das revoltas germinais (que ocorreram entre 1480-90) culminam com a revolta dos anabatistas, liderado por Thomas Muntzer em 1524-25.



As primícias da globalização


O advento do século XVI, descobrimentos, reforma, renascimento, revolução dos preços, nascimento do Estado Moderno, e outros acontecimentos sempre foram relatados na perspectiva da Europa: Eurocentrismo (p. 96), uma história centrada no Europa e que trata os outros continentes como inexistente. Visões redutoras, ainda

mais acentuadas, no relato da história do período, com foco na Espanha e Portugal; ou na França com o surgimento em paralelo do Estado Moderno. “Nessa toada, o México e o Brasil só emergiram à tona da História quando descobertos e conquistados pelos europeus” (p. 97).


A globalização se mostra como desencravamento, (Pierre Chaunu) – está à mostra o que virá: colonização e ocidentalização do mundo (p. 97).


Interessante notar que o mundo viu uma “globalização” islâmica que precedeu os 1500: eles conseguiram federalizar o ex império bizantino, o Magreb, a África negra, O Oriente Médio, a Índia e a Indonésia. Mas a cristandade ibérica tomou o seu lugar.

Igreja de Santa Sofia, em Constantinopla, Império Otomano.





Com os Impérios Ibéricos a posse do mundo se tornou uma operação geométrica: Tordesilhas. Esse procedimento tem duas implicações essenciais: por um lado, liga diretamente o domínio tecnológico, o reconhecimento cartográfico e a supremacia política; por outro lado, prefigura a possibilidade de se estender um controle abstrato sobre o mundo inteiro, independentemente dos obstáculos físicos, históricos e humanos. Nos dois casos, o conhecimento científico, expresso em algarismos e baseado nos cálculos feitos com instrumentos apropriados está no centro do processo de contato e de globalização (Processo de Racionalização, Intelectualização e Burocratização aplicado ao conhecimento do mundo e do homem - o sociólogo Max Weber define assim o processo de Modernidade).



- No Brasil se conhece e se estabelece o Cruzeiro do Sul, desenhado pela primeira vez. É uma forma de aprender o mundo pelas cifras matemáticas (p.99).

- A aceleração, a intensificação e a diversificação dos contatos são os traços essenciais da globalização (p. 100).


- A manipulação de dados, de mapas e de informações nos lembra que não há globalização sem um pano de fundo político (p. 101). Mundos que se ignoravam nos fins do século XV serão postos em contato subitamente e se confrontarão, isso nuns vinte anos depois (p. 103).


- Caso hilário nesse contexto de re-conhecimento; Vasco da Gama chega em Calicute e vai rezar num templo hindu por achar que eles eram cristãos e que o templo era uma igreja (p. 104). Confusão passageira.


- No final: horrores de sangue e de massacres genocidas e também mestiçagem das culturas e dos seres emergirão como herança da transição (p. 109).



  • ATIVIDADES PROPOSTAS



1) Faça um resumo informativo/analítico da obra: GRUZINSKI, Sergei. A passagem do século: 1480 – 1520 As origens da Globalização. São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 1999.


2) Estabeleça os fatos históricos por meio de uma linha cronológica, da transição do período Medieval para o Moderno usando os limites entre 1480 e 1520.


3) Por que o autor usa essa datação de 1480-1520 para frisar uma transição do medieval para o moderno?


4) Por que o autor cita a história do padre Savonarola, do rico investidor Jacob Fugger e do escritor Erasmo de Roterdã, nesse relato sobre a transição da Id. Média para a Id. Moderna? E por que os anabatistas?


5) Produza um breve texto sobre aquilo que buscava o almirante Cristóvão Colombo e o que ele achou nas viagens empreendidas ao final do século XVI. (pesquise em outras obras)


6) O que o autor acrescenta ao tema "globalização" quando narra a transição do período medieval para o moderno? Como você entende a palavra "primícias"?



* Como fazer um resumo informativo/analítico


Todas as atividades propostas (1 até 6), devem estar juntas e devem ser enviadas para o e-mail pfsahium@gmail.com até o dia 10 de agosto

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