• Pedro Sahium

2. H. da América: Bartolomeu de Las Casas e a questão indígena

Bartolomeu de Las Casas/Igreja Católica Romana e o Paraíso destruído. Relatos do empreendimento da conquista e colonização das Índias Ocidentais


Os relatos que seguem foram retirados dos livros referenciados abaixo. Nesse trechos podemos contemplar a situação histórica e a postura de alguns religiosos diante do empreendimento colonial nas Américas, em particular na América espanhola.


Conquanto a defesa feita pelo religioso dominicano Bartolomeu de las Casas sejam, às vezes, dura e contundente, sua vida aponta para a ambiguidade, que o escritor Todorov assim sintetiza:



O primeiro grande tratado de Las Casas consagrado a causa dos índios intitula-se: Da única maneira de atrair todos os povos a verdadeira religião. Este título condensa a ambivalência da posição lucasiana. Essa “única maneira” é, evidentemente, a suavidade e a persuasão pacifica; a obra de Las Casas é dirigida contra os conquistadores, que pretendem justificar suas guerras de conquista pelo objetivo almejado, que é a evangelização. Las Casas recusa essa violência; mas, ao mesmo tempo, para ele só há uma religião “verdadeira”: a sua.

E esta “verdade” não é somente pessoal (não é a religião que Las Casas considera verdadeira para ele mesmo), mas universal; é válida para todos, e por isso ele não renuncia ao projeto evangelizador. Ora, já não há violência na convicção de possuir a verdade, ao passo que esse não e o caso dos outros, e de que, ainda por cima, deve-se impô-la a esses outros? A vida de Las Casas é rica em ações variadas em favor dos índios. Porém, excetuando-se as de seus últimos anos, todas são marca das por alguma forma dessa mesma ambiguidade.



Nesse outro texto Todorov acrescenta ainda mais um elemento, em termos de consciência do dominicano, de ambiguidade é claro:



A atitude de Las Casas para com os escravos negros também poderia ser evocada

neste contexto. Os adversa rios do dominicano, que sempre foram muitos, não deixaram de ver ai uma prova de sua parcialidade na questão dos índios e, portanto, um meio de rejeitar seu testemunho da destruição destes. Esta interpretação e injusta, mas e fato que Las Casas não teve, no inicio, a mesma atitude em relação aos índios e aos negros: aceita que estes, mas não aqueles, sejam escravizados. E preciso relembrar que a escravidão dos negros e então um dado, ao passo que a dos índios começa sob seus olhos. Mas, na época em que escreve a Historia de las Índias, afirma que não faz mais nenhuma distinção entre os dois: “Sempre considerou os negros injustamente e tiranicamente escravizados, pois as mesmas razoes aplicam-se a eles e aos índios” (III, 102). No entanto, sabemos que, em 1544, ainda possuía um escravo negro (tinha renunciado a seus índios em 1514), e ainda se encontram em sua Historia expressões do gênero: “E uma cegueira incrível a das pessoas que vieram a estas terras e trataram seus habitantes como se fossem africanos” (II, 27).



Todorov aponta para Bartolomeu de Las Casa (1484-1566), como ele viveu, as suas fases diferentes no começo, durante e depois dos contatos com os indígenas; foi um etnólogo(?) Fez a defesa inconteste dos indígenas junto ao Rei espanhol (?); Introduziu o Perspectivismo no seio da religião (?); Praticou uma antropologia religiosa onde “cada um é o bárbaro do outro” (?). Todorov afirma que apesar da ambiguidade, presente nas ações de Las Casas, "a maioria dos documentos que lemos são missivas endereçadas ao rei, (...) pedindo uma atitude mais humana em

relação aos índios, [fazendo] a única coisa possível, e realmente útil; se alguém contribuiu para melhorar a situação dos índios, esse alguém foi Las Casas; o ódio inextinguível que sentiam por ele todos os adversários dos índios, todos os defensores da superioridade branca, comprova-o suficientemente". (p. 149)


Mais adiante, quase na conclusão de sua obra, Todorov arremata: "Mas não diminui em nada a grandeza da personagem, muito pelo contrario, reconhecer que a ideologia assumida por Las Casas e outros defensores dos índios e uma ideologia colonialista. E justamente por ser impossível não admirar o homem que e importante julgar lucidamente sua politica". (p. 150) No final da vida, depois de desenvolver e se desgastar até o último pavio na defesa dos indígenas, Las casa se inclina para a seguinte solução: "conservar os antigos Estados, com seus reis e governantes; pregar o Evangelho, mas sem o apoio dos exércitos; [se] os reis locais pedirem para fazer parte de uma espécie de federação, presidida pelo rei da Espanha, que sejam aceitos; não tirar proveito de suas riquezas, a menos que eles mesmos o proponham [dar espontaneamente]. Em outras palavras, Las Casas sugere ao rei da Espanha que renuncie a suas possessões ultramarinas...




ATIVIDADES PROPOSTAS


Depois de ler a obra de Bartolomeu de Las Casas, Responda:

  • Faça um breve histórico da vida de Bartolomeu de Las casas

  • O livro contem exageros? aponte-os.

  • Qual a intenção ou motivo da obra de Las Casas?

  • Qual a impressão que você tira da leitura de Las Casas?

  • Apresente uma síntese de cada um dos capítulos da obra, assinalando a importância deles para o nosso conhecimento histórico da América à época do 'descobrimento'.

Enviem as respostas até dia 18 de agosto para o email pedro.sahium@ueg.br



REFERÊNCIAS


- LAS CASAS, Frei Bartolomeu de. O paraíso destruído: brevíssima relação da destruição das Índias. Tradução Heraldo Barbuy. 6ª Ed. Porto Alegre: LP&M. 1996, Coleção Descobertas.


- LAS CASAS, Frei Bartolomeu de. Único modo de atrair todos os povos à verdadeira religião. São Paulo: Paulus, 2005.


- GALMÉS, Lorenzo. Bartolomeu de Las Casas, defensor dos direitos humanos. São Paulo: Paulinas, 1991.


TODOROV, Tzvetan A Conquista da América. São Paulo: Martins Fontes: 1999.

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