• Pedro Sahium

2. História Moderna - Práticas econômicas, estruturação mercantilista

Modernidade, momento que se inicia com a transformação da Europa (provinciana, renascentista e mediterrânea) em “centro” do mundo... Todas as outras culturas passam a ser “periferia” sua.




Chamamos "mercantilismo" ao conjunto de ideias e práticas econômicas que marcaram a Europa entre 1450 - 1750 (século XV até século XVIII), na transição da Europa medieval para a moderna. Depois de bem estudado, percebe-se que o "pensamento mercantilista apresenta-se sob a forma de sistema ou "arte" econômica" (HUGON, 1992, p. 87).



Os mercantilistas eram homens de ação, homens práticos, empiristas, "presos à realidade" e, por isso mesmo, não concebiam a existência de uma "teoria" econômica, ou algo que pudesse ser compilado como "leis econômicas". Consequentemente surgiram vários "mercantilismos", praticados em países diferentes, guardando características em comum e que não subsistiram às evoluções da economia que que se formaram no século XVIII.


Como tratado anteriormente, na exposição por meio da vídeo aula, faz-se necessário, para melhor compreensão do assunto, inserir o estudo do mercantilismo num contexto amplo das "tríplices transformações" - de ordem intelectual, política e geográfica - que varreram o mundo no início dos tempos modernos.


I. Transformações Intelectuais: laicização do pensamento e crescimento das ideias materialistas ao lado do pensamento de ordem espiritual; retorno aos métodos de observação e experiência, os estudos científicos (Copérnico 1473-1543); a tradição é substituída pela ideia de progresso, ideais novos de bem estar, conforto, luxo; a habitação se transforma (de castelos a magníficas casas mobiliadas, quadros, tapeçaria móveis); viagens e novas maneiras de viver são observadas; a técnica e o uso da imprensa se generaliza e traz a vontade de aprender; a Reforma (calvinistas e puritanos) estimula o individualismo e a atividade econômica reabilitando teologicamente a vida material.

II. Transformações políticas: No Séc. XVI – surge o estado moderno, a unidade política em torno do rei; o comércio transforma-se em negócio público – com a noção de balança comercial, noção de individualismo; a nação se transforma em um organismo econômico; o mercado se expande de local para nacional; aparece a figura de uma economia nacional – em disputas internacionais.



III. Transformações geográficas: Com as técnicas de navegação o “mar tenebroso” é vencido; amplia-se o uso da bússola, das cartas de navegação, novas embarcações. O périplo português (Os Lusíadas de Camões) e espanhol; Nas expansões geográficas se misturam: aventuras, desejo de riquezas, o símbolo da cruz, as bandeiras das nações; Formação de impérios, mas nem sempre...; Afluxo de metais preciosos do “Novo Mundo” para a Europa deslocando o eixo econômico – aparece na geografia o Atlântico, o mar do Norte, prosperidade de Londres, de Amsterdã, Lisboa...




O mercantilismo como sistema de poder, tratado na forma do clássico estudo "La Epoca Mercantilista", por Heckscher, traz uma excelente contribuição das relações do mercantilismo com o estado da época moderna - ver aqui o texto


O estado era sujeito e objeto da política mercantilista - mas só era poderoso se fosse rico e só era rico se promovesse o comércio.

CONJUNTO DE IDEIAS E PRÁTICAS ECONÔMICAS DENOMINADAS MERCANTILISMO


1.“Um país se torna mais rico quanto mais dinheiro ou ouro recebe da terra ou de alguma parte, e, mais pobre quanto mais ouro sai dele”. [Cuidado com o anacronismo. Tanto na França quanto na Espanha do século XVI, essa máxima "não queria dizer que riqueza era igual a moeda acumulada". Muitos pensadores da época (J. Boudin A. Navarro) interpretavam a moeda como um meio para obter riqueza em terras e títulos]

2.“Os meios ordinários portanto, para aumentar nossa riqueza e tesouro são pelo comércio exterior, para o que devemos sempre obedecer a esta regra: anualmente vender aos estrangeiros mais, em valor, do que consumimos dele”. 3.“O comércio é de fato o direito das gentes, mas o príncipe tem o poder de restringi-lo como quiser, limitá-lo como lhe aprouver, onerá-lo ou aliviá-lo de imposições, principalmente no que diz respeito aos estrangeiros”. 4.“As colônias não podem esquecer jamais o que devem a mãe-pátria pela prosperidade de que desfrutam. Devem, por consequência: dar à metrópole maior mercado aos seus próprios produtos, dar ocupação ao maior número de seus manufatureiro, artesãos e marinheiros...".



A sequência dos fatos: Navegações oceânicas - "Descobrimentos" - Conquistas - Colonizações [etapas sucessivas da "empresa mercantil"]




Tendo como base a obra de Hilário Franco Jr. e Paulo Pan Chacon, sobre a "História Econômica Geral e do Brasil", podemos formular as seguintes afirmações:


- Sem se constituir numa escola de pensamento econômico, o mercantilismo surge no final da Id. Média por meio de um forte intervencionismo estatal;


- Representando um estágio do capitalismo que tem seu centro dinâmico na circulação de mercadorias e consequente reprodução de capitais;


- O Estado Nacional Absolutista vê no sistema a maneira de se fortalecer;


- Embora fortalecido pelo segmento mercantil (burguesia mercantil), o Estado Moderno usava parte do capital arrecadado para manter a nobreza e o clero, setores não produtivos daquela sociedade.


- O fortalecimento da classe de comerciantes,mesmo dentro da Baixa Idade Média (XI - XV), contribuiu para o enfraquecimento e posterior fim da ordem política feudal, e consequente aparecimento do Estado Moderno;


- O rei, figura nacional, e a burguesia mercantil, se viabilizaram por meio do mercantilismo - mas classes parasitárias (clero, nobreza), continuaram a atuar naquela sociedade;


- O "eixo" daquela nascente sociedade começou a mudar, de uma organização social fechada e imutável, para outra sociedade onde os indivíduos e classes passaram a se movimentar em função do lucro possível;






  • ATIVIDADES PROPOSTAS

1) Faça um resumo informativo/analítico da obra: HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. São Paulo: Atlas: 1992, pp.59-88.


2) Escreva um texto breve justificando a seguinte afirmação: " O mercantilismo foi a força e a fraqueza do estado Moderno Absolutista".


3) Paul Hugon aponta as consequências do mercantilismo ao alcançar seu apogeu. Discorra sobre essas consequências e as reações ao mercantilismo, que foram esboçadas já em fins do século XVII, começo do XVIII. Encerre sua escrita citando o sistema econômico que tem origem e se desenvolveu a partir do século XVIII.



- DOBB, Maurice Herbert. A evolução do capitalismo. 6. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1977.


- FRANCO JÚNIOR, Hilário; CHACON, Paulo Pan. História econômica geral. São Paulo: Atlas, 1987.

- FALCON, F. C. Mercantilismo e transição. São Paulo: Brasiliense, 1986.


- HUGON, Paul. História das doutrinas econômicas. São Paulo: Atlas: 1992.

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