• Pedro Sahium

Desencantamento do Mundo

Atualizado: Abr 8



O mundo Moderno marchou de forma decidida tocado pelo processo de racionalização (Weber). Dito de outra forma, o Moderno se caracterizou pela crescente tomada de consciência de que “o homem era a medida de todas as coisas”, e a ciência deveria oferecer as provas (únicas e válidas) de explicação do homem enquanto tal, bem como



do seu entorno. “A racionalidade dispensa o sagrado”. Danny- Robert Dufour, professor da renomada Universidade Paris – VIII, diz que “a civilização é um mundo encantado por uma narrativa”, e, se for assim, a narrativa teo-lógica foi superada, ou, enfraqueceu muito, e a visão religiosa do homem e do mundo, consenso na maior parte da nossa história, se encerrou, ou, a ela não se dá mais tanto crédito.


A razão foi nos conduzindo passo a passo para um mundo fora da religião. Lembremos (seguindo o pensamento de Dufour): Desde Maquiavel, não tivemos a necessidade de Deus para fazer política; Desde Newton, não tivemos mais necessidade de postular Deus para o universo físico segurar-se; Desde Kant, não tivemos mais necessidade de afirmar Deus para dispor de uma metafísica; desde Darwin, não tivemos mais necessidade de Deus para explicar o aparecimento do homem; Desde Freud, não tivemos mais necessidade de Deus para dar conta dos nossos sonhos e das nossas paixões; Desde Nietzsche, não tivemos mais necessidade de Deus. (...) Mas os homens seguem crendo e as religiões se enfrentam novamente.

Pode ser que vivamos na atualidade uma negação da Modernidade, ou, seu esquecimento. Em outro momento poderemos falar sobre isso. Mas o fato é que vemos surgir um eixo estruturante de vida que não está na transcendência e sim na imanência, no biológico, no antropológico e no psicológico. Já foi dito que o Psi não oferece sentido à vida, não estrutura a vida porque é manifestação, sentimentos. Concordo, mas ainda assim interpretações Psi enchem o nosso cotidiano e provamos um “centramento do Eu” que eclipsa a alteridade. Só o “Eu”, “para mim”, “meu”, é o que importa.

É mesmo um traço do mundo contemporâneo (pelo menos no Ocidente onde o “Show do Eu” se apresenta mais fortemente): A cultura do indivíduo se fortaleceu, esmagando uma visão importante, pelo menos no meu ponto de vista, que era o da religião do Deus que se encarna, que “arma tenda entre nós”, que se identifica com os despossuídos (pobres desse mundo), e se diz contemplado quando nos “servimos uns aos outros”. Essa religião não se acha facilmente, não se encontra nem nas muitas instituições que levam o nome de cristãs. Se se esquece a encarnação em breve surgem as perseguições, por isso nunca é demais lembrarmos: “A religião pura para com Deus e Pai, é visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”.


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