• Pedro Sahium

Unidade IV - Planejamento de Eventos

Por que chamar a sociedade do século XXI de Sociedade Líquida


Muitas são as tentativas para classificar os tempos por meio de conceitos que possam incluir todas as partes do globo. O educador canadense Marshall MacLuhan, na primeira metade do século XX já tinha antevisto a internet, e asseverou que o mundo seria uma "aldeia global", o mundo inteiro num tempo só. Ele viu a importância das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) para o estabelecimento de outras/novas relações sociais e produtivas, bem antes delas acontecerem. Aliás ele deu uma importância enorme aos instrumento de comunicação, aos meios, ficando famoso com a frase "O meio é a mensagem". Mais do que o conteúdo, os instrumentos pelos quais aconteceriam as relações entre os indivíduos, deixava claro MacLuhan, é que mudaria o mundo. Certo, o mundo deu lugar a novos paradigmas. Estamos vivenciando tudo isso, aprendendo ainda a nos portar, relacionar, fazer comércio etc..


Já no limiar dos século XX para XXI ganha destaque a obra de outro pensador, que já pude apresentar a vocês, e que consegue fazer, no meu ponto de vista, uma excelente classificação do mundo. O pensador Zigmunt Bauman, sociólogo, judeu polonês, radicado na Inglaterra até a sua morte em 2017, com uma enorme produção literária, cunhou o termo "Sociedade Líquida".


Tudo que é sólido desmancha no ar


Assim explica Bauman (2011) sobre o que é a fase líquida da modernidade:

"O que torna 'líquida' a modernidade, e assim justifica a escolha do nome, é a sua 'modernização' compulsiva e obsessiva, capaz de impulsionar e intensificar a si mesma, em consequência do que, como ocorre com os líquidos, nenhuma das formas consecutivas da vida social é capaz de manter seu aspecto por muito tempo. “Dissolver tudo que é sólido” tem sido a característica inata e definidora da forma de vida moderna desde o princípio; mas hoje, ao contrário de ontem, as formas dissolvidas não devem ser substituídas (e não são) por outras formas sólidas – consideradas 'aperfeiçoadas', no sentido de serem até mais sólidas e 'permanentes' que que as anteriores, e portanto até mais resistentes à liquefação. No lugar de formas derretidas, e portanto inconstantes, surgem outras, não menos – se não mais – suscetíveis ao derretimento, e portanto também inconstantes" (BAUMAN, 2011, posição 164).


Leia esse conceito mais de uma vez e medite sobre o que ele diz. Mas, acho que vocês percebem nesse conceito, um indicativo da atual sociedade líquida, que em termos culturais, pode ser assim caracterizada:

1) Uma cultura que assume a função de “garantir que a escolha seja e continue a ser uma necessidade e um dever inevitável da vida”;

2) A manutenção de uma batalhas contra todos os tipos de paradigma;

3) Contra todos os tipos de equilíbrios proposto, que “servem ao conformismo e à rotina”, a “cultura consiste em ofertas, e não em proibições, não em normas”;

4) A cultura está engajada na tarefa de produzir, semear e plantar novos desejos e necessidades, e não no cumprimento do dever.

5) A cultura serve a um mercado de consumo orientado para a rotatividade, o objetivo atual da cultura reside em “produzir, semear e plantar novos desejos e necessidades, não no cumprimento do dever”;

6) O mundo em rede é um constante conectar-se e desconectar-se dessas redes, numa sequência inacabável, “substitui a determinação, a lealdade e o pertencimento” por aquilo que se enquadra ao gosto do consumidor, e só para daqui a um tempo ser descartado para dar lugar a um novo produto;

7) Entrar e sair de qualquer instituição, seja família, casamento, empresa, Estado, Igreja ou outra qualquer, a depender da preferência do consumidor.


As delícias do atual sistema, bem como seus predicados negativos e destrutivos, precisam ser compreendidos, e não só por administradores.

Já pensaram um mundo, e uma sociedade, em que nós temos que "correr" o tempo inteiro? Correr para estudar, correr para se recapacitar, correr para consumir os múltiplos tipos de mercadorias que devem nos "fazer felizes", correr para mostrar que somos felizes (nesse mundo a verdade só é verdade se aparece em alguma tela), correr para estabelecer novas relações que por não ganhar profundidade logo serão descartadas... Ufa!!!


Ter princípios morais e éticos, valorizar e defender Direitos Humanos, empoderar o nosso semelhante (lembrando que o reformador religioso Lutero, disse no século XVI: "Toda posse gera compromisso"), desenvolver a prática de "ouvir as pessoas, pois ouvir as pessoas também é uma forma de falar com elas" (Paulo Freire), se colocar à disposição da sociedade da ajuda, do consumo consciente e responsável é um compromisso com o planeta e com todos os seres vivos. Essa consciência está em expansão. As empresas já falam em compromisso social como diferencial de mercado. Muitos empresários, como Bill Gates, dono da microsoft, financiam as ações da ONU em favor dos pobres do mundo.

Poderíamos dizer mais um pouco, mas quero deixar vocês com uma entrevista do Bauman que esclarece bem essa questão do mundo conectado e ao mesmo tempo líquido, além de outras abordagens que ele deixou registradas. E lembrem-se que esse conteúdo deve nos municiar para que possamos montar em sala, ou, aqui mesmo na web, a nossa apresentação dos itens referentes ao diversos modelos de eventos e seus planejamentos (Cursos, Mesa-redonda, Simpósio, Seminário, Banner...). O primeiro deverá ser um Banner, no final de maio. Vermos a possibilidade de montagem de um Banner pelos alunos, ainda que virtual...



ATIVIDADE PROPOSTA:


Depois de assistir ao vídeo (aconselho fazê-lo mais de uma vez, se tiver oportunidade), entre no nosso Fórum "Mundo Líquido" e escreva pelo menos uma frase sobre: "O que eu encontrei de interessante no pensamento de Bauman".

Os discentes também podem fazer observações sobre o que os outros colegas já postaram.




BAUMAN, Zigmunt. A cultura no mundo líquido moderno. Rio de janeiro: Zahar, 2011.


_______. . Globalização: as consequências humanas. Rio e Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.

_______. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.

_______. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

_______. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

_______. A sociedade individualizada. Rio de janeiro. Zahar, 2008.

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