• Pedro Sahium

Palavras como alimento

Atualizado: Jun 13


Foi num texto sagrado que eu aprendi: “Nem só de pão o homem viverá, mas de toda palavra....



Há muito tempo atrás me falaram que “uma imagem vale mais que mil palavras”, aceitei como slogan para propaganda televisiva de refrigerantes, cigarros e muitos outros produtos. Mas sempre desconfiei de slogans. Daí me coloquei a pensar que o inverso desta frase podia também ser aceito como igualmente uma verdade, sem polemizar. Vejamos:

Uma palavra vale mais que mil imagens...

Eu já experimentei palavras do cotidiano e deu certo em termos de sentimentos-sensações-recordações. Vide a palavra “groselha”, a possibilidade de sentir o gosto avermelhado e agridoce na boca, às vezes os olhos salivam, como na palavra cajá-manga ou carambola. Brincadeira de criança, né? Acontece que fomos feitos para brincar, e o educador ensina que os adultos tentam fazer com o trabalho o que as crianças fazem com o brinquedo. Nascemos para brincar!



Deus e Vida Eterna



Mas existem palavras de muita profundidade. Não qualquer palavra, o que é óbvio, mas aquelas que encerram em si mesmas um sentido e até uma ausência que desce nas profundezas. Aqui, como o teólogo, uso o termo ‘profundezas’ como o oposto de superficialidade e não de altura. Quando vencemos a tentação atual da superficialidade, “nós nos encontramos no caminho que leva à morada da luz”.

Dessa qualidade separei as palavras, Deus e Vida Eterna, que são palavras que suscitam algo tão profundo que não é possível nem falar de sua existência com um simples “sim” ou “não”. Ateus e Crentes às vezes as usam nessa base simplista, do ‘existe’ ou ‘não existe’. Perguntaram ao médico e psicanalista C. G. Jung se ele cria em Deus, e ele disse: “Se eu creio em Deus? Eu sei Dele!”. A resposta fez honra à pergunta.

Encerro o texto com um conjunto de palavras benditamente reunidas por Cecília Meireles[1], e às quais não se deve nem acrescentar nem tirar nada, sob o custo de profanação! Leia devagar e por mais de uma vez. Sua alma será lembrada do que não pode ser esquecido pois é essencial.



No Mistério do sem-fim



No Mistério do sem-fim

Equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim

e, no jardim, um canteiro:

no canteiro, uma violeta

e, sobre ela, o dia inteiro

entre o planeta e o sem-fim

a asa de uma borboleta.



[1] Cecília Meireles (1901-64), poetisa, pintora, professora e jornalista. Mulher brasileira de tamanha grandeza literária, e que nos ajuda a ver que o corpo e a alma são da mesma natureza. Uma das mais importantes representantes das literaturas de língua portuguesa.

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